Hel - Deusa do Reino dos Mortos | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
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  • Atribuições: Rainha e governante do mundo dos mortos (Helheim)
  • Símbolo: Runa Hagalaz, crânios, corvos
  • Local: Escandinávia 
Ilustração da Deusa Hel por WintersKnight | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
Hel ou Hela é considerada uma Deusa da Morte e é a filha mais velha da giganta Angrboda com o Deus da Trapaça, Loki. Irmã de Fenrir e Jörmungandr (a serpente  que segura o mundo), ela é vista por muitos como uma divindade indiferente às preocupações dos vivos e dos mortos. Seu mito conta que é ela quem julga todas as almas que passam por Helheim (reino de Hel) submundo nórdico onde a Deusa mora. O local é visto como uma terra bela, mas escura e com muito gelo.

Sua natureza é muito debatida e ela é vista por muitos como "malvada" sem a devida consideração. Hel não é boa nem má, ela possui um papel a ser prestado e o faz com muito esmero e justiça.

Na mitologia nórdica, a morte é vista como algo natural e não assustador. Faz parte do ciclo natural da vida. Hel é responsável por receber e julgar os espíritos de todos que não tenham perecido em batalha, e de acordo com seus feitos em vida, encaminhá-los a um dos nove níveis de Helheim, que vão de locais paradisíacos a horrorosos.

O nome da Deusa Hel significa “escondida”, em nórdico antigo, e esse nome pode remeter à sua aparência. Ela é descrita como possuindo metade do corpo sendo uma bela mulher de cabelos longos, e a outra metade sendo um esqueleto. Por vezes é descrita como sendo metade viva e metade morta. Devido a essa aparência ela foi enviada para governar Helheim. Os outros Deuses alegavam desconforto ao observá-la.

Uma das poucas lendas sobreviventes que a Deusa possui grande papel, é a da morte de Baldr (ou Baldur), Deus nórdico da luz e filho da  Deusa Frigga.

Ela conta que Loki, pai de Hel, enganou e usou o deus cego Hodr, irmão de Baldr, o fazendo matar Baldr com uma flecha (ou lança em algumas versões) feita de visco, a única fraqueza de Baldr. Seu espírito foi para Helheim. Hermodr (mensageiro dos Deuses) voluntariou-se para ir falar com a Deusa no submundo e trazer Baldr de volta. Odin emprestou-lhe seu cavalo de oito patas, Sleipnir, e, com ele, o Deus pulou os portões de Helheim.

Ao encontrar Hel, suplicou-lhe que devolvesse a vida de Baldr, e a Deusa concordou em fazê-lo, porém todas as criaturas deveriam lamentar sua morte para que isso acontecesse. Baldr saiu pelo cosmos para que todos lamentassem a morte de seu irmão, mas uma giganta chamada Thokk não o fez, impedindo que Baldr fosse ressuscitado. Thokk, presumidamente, era Loki disfarçado.


Além do túmulo

Hel governa o mundo além da vida, outro plano de existência. Seu papel e aparência lhe concederam uma fama de ser uma entidade cruel e a ignorância a tornou como forma de assustar crianças e de fazer adultos “trilharem um caminho mais virtuoso” ao invés de seguirem com o livre arbítrio. Em sua essência, como já dito, ela não é boa nem má, apenas justa, assim como a Deusa Nyx, por exemplo. Por vezes pode ser comparada à Deusa Kali.

Hel se encontra em uma posição privilegiada como guardiã e governanta de todos os espíritos que não caíram em batalha, um papel semelhante ao da  Deusa Néftis na cultura egípcia.

Devido a seu papel, não é raro que praticantes do xamanismo ou outras vertentes peçam sua ajuda para entrar em contato com os espíritos dos mortos através de sonhos ou projeção astral. É uma prática usada para aprendizado ou divinação.

Relatos dizem que, se ela estiver disposta a ajudar, aparecerá em um sonho ou uma visão e lhe estenderá sua mão de esqueleto para que seja beijada. Isso é um teste para julgar aqueles que são dignos de assistência, pois aceitar as deformidades alheias é um sinônimo de amizade e respeito.
Hel pode ser interpretada como uma Deusa Tríplice, sendo a face Anciã, Devoradora ou Negra das Deusa Freyja (Donzela) e da Deusa Frigga (Mãe).

A palavra inferno em inglês, "hell", é derivada do nome da Deusa.

Hel na cultura pop

Hel é uma personagem jogável no jogo online Smite. A personagem é bem fiel ao mito da Deusa, sendo descrita como guardiã e julgadora dos mortos, a que decide quem renasce ou não. Ela possui duas formas, sendo a primeira uma mulher loura com habilidades de cura e segunda uma representação mais perversa, sendo uma mulher com longos cabelos negros e habilidades orientadas ao ataque.

Deusa Hel no jogo Smite | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo


A Deusa também é um demônio recorrente na série Shin Megami Tensei, sendo a única capaz de domar o dragão Nidhoggr.

Deusa Hel em Shin Megami Tensei | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo



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Invocando Hel


Hel é a Deusa que julga a alma dos mortos e escolhe o destino de cada uma. Trabalhar com a energia desta Deusa é algo bastante denso, porém recompensador.

Você pode invocá-la para que ela julgue as suas atitudes perante alguma situação ou pessoa. Ou seja, esteja preparada(o) para enfrentar o julgamento da Deusa.

Faça este ritual durante a Lua Nova.

Itens necessários:
  • Incenso de cravo ou de alecrim
  • Copo com água bem gelada
  • Caderno e caneta para anotar os sonhos


Antes de dormir acenda um incenso de cravo ou de alecrim. Coloque um copo com água BEM gelada ao lado da cama (se tiver um criado mudo, coloque em cima dele).

Deite-se de barriga para cima e de preferência não se cubra. Concentre-se na Deusa e diga que está preparada(o) para ser julgada e pronta(o) para colocar em prática o que for necessário para mudar a situação.

Preste bem atenção nos sonhos (lúcidos ou não) que tiver. Esforce-se para anotar o máximo de detalhes de cada um deles.

Ao acordar despeje a água em algum lugar na natureza. O ideal é em algum rio ou lago, mas como nem todos temos acesso, podemos despejar em alguma planta ou jardim.

Na noite seguinte, leia os sonhos anotados e tente decifrá-los, pois alguns (ou todos) serão mensagens enviadas pela Deusa Hel. Aceite-os.

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Parvati - Deusa do amor e casamento | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
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  • Atribuições: Deusa do amor, do casamento, da devoção, da fertilidade, da força divina e do poder, protetora das mulheres 
  • Símbolos: Elefantes, Tigres, Tridente, flor de lótus e a dança 
  • Local: Índia 
Parvati, Shiva e Ganesha | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
A Deusa Parvati é uma das muitas manifestações de Durga, grande poder feminino da mitologia hindu, representando um lado gentil e maternal da mesma. Juntamente com Sarasvati e Lakshmi, ela faz parte da trindade de Deusas Hindus conhecida como Tridevi.

Ela é a segunda esposa de Shiva, o transformador, (a primeira, Sati é considerada uma encarnação anterior da Deusa) e mãe de Ganesha (Deus da sabedoria) e Kartikeya (Deus da guerra).

Existem muitas representações diferentes de Parvati, mas todas costumam usar um vestido vermelho. Quando vista com Shiva, ela possui apenas dois braços e segura uma lótus em sua mão direita, mas quando vista sozinha, geralmente, é representada com quatro braços e pode segurar diversos itens em suas mãos além das flores: uma concha, espelho, coroa, rosário, sino, prato de arroz, ferramenta de agricultura ou cana de açúcar. Uma de suas mãos pode estar na posição do Abhaya mudra (não tema) e a outra pode estar segurando um de seus filhos (mais comumente, Ganesha). Ela também pode ser representada com pele dourada ou amarelada, e bronze é o metal mais usado em suas esculturas.

Deusa da união

Parvati é normalmente encontrada ao lado de Shiva na maioria dos templos hindus localizados no sul e sudeste da Ásia. Alguns deles celebram grandes eventos na vida da Deusa, como, por exemplo, os de Khajuraho, um dos quatro locais principais associados a Parvati, junto com Kedarnath, Kashi e Gaya. De acordo com a mitologia hindu, Khajuraho é o lugar onde Parvati e Shiva se casaram.

Uma grande parte das pessoas buscam ajuda de Parvati para resolverem problemas conjugais. O mantra Swayamvara Parvathi, segundo seus devotos, tem o poder de trazer o casamento, resolver problemas entre o casal ou, ainda, prevenir uma má união. Esse é um mantra que deve ser pronunciado 1008 vezes por dia, durante 108 dias seguidos para que a energia necessária para o seu funcionamento seja gerada.


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Invocando Parvati

Apesar de ser comumente invocada para assuntos conjugais, Parvati possui vários outros atributos que a fazem uma Deusa para ser chamada em momentos de fraqueza ou impotência diante de alguma situação.

Você pode estar em sintonia com a Deusa somente honrando diariamente e presenteando de coração aberto alguma mulher por quem tenha admiração. Parvati está fortemente presente nessa relação.

Caso queira, também pode realizar rituais ou entoar mantras para que a aproximação com a Deusa seja maior, mas é importante que os rituais sejam feitos durante a Lua Crescente, fase que mais se identifica com a Deusa e seu consorte, Shiva.

Itens necessários: 

  • Símbolo de Parvati (de sua escolha)
  • Incenso (opcional) 
  • Sua música preferida ou algum mantra 


Não importando o período do dia, tome um banho para relaxar e acenda o incenso.

Mentalize seus pedidos e, com o símbolo em mãos, comece a dançar como seu corpo mandar.

Extravase e deixe os pensamentos ruins de lado, focando somente na Deusa e em sua benevolência. Dance até cansar ou sentir que foi o suficiente, e se possível, repita durante os dias do quarto crescente.

Leituras recomendadas



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Inari - Deusa da agricultura e da prosperidade | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
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Atribuições: Raposas, fertilidade, arroz, chá, saquê, prosperidade e sucesso mundano
Símbolos: Raposa branca/vermelha, foice, saco de arroz e a cor vermelha
Local: Japão

Inari - Representação da Deusa por Dreoilin (DeviantArt)
Inari ou Oinari é uma das principais divindades do Xintoísmo no Japão, possuindo mais de 30 mil altares e templos dedicados à ela (sem contar os altares caseiros e pequenos encontrados em estradas).

A cor vermelha é muito presente no culto a ela, aparecendo em raposas, seu símbolo mais comum, e nos Torii presentes em locais de devoção.

As estátuas de raposa, geralmente, são encontradas em pares: um macho e uma fêmea. Isso acontece pois Inari possui uma representação na forma de uma jovem Deusa dos alimentos, um senhor idoso carregando sacos de arroz ou, ainda, um bodisatva andrógino para os devotos do budismo. Sua aparência depende muito das crenças e tradições de cada um, fazendo de Inari uma divindade muito pessoal.

Essas estátuas normalmente apresentam algum item em suas bocas ou sob uma pata dianteira, podendo ser, mais comumente, uma moeda ou uma jóia e uma chave, mas também pode ser um ramo de arroz, um pergaminho ou um filhote de raposa.

Seu principal santuário fica em Kyoto, na cidade de Fushimi. O local é muito visitado por turistas e devotos, sendo um dos locais mais característicos do Japão.

Fushimi Inari Taisha - Templo de Inari em Kyoto
Fushimi Inari Taisha - Templo de Inari em Kyoto
Sendo a Deusa ou Deus do arroz, Inari também é associada com prosperidade geral, e no Japão feudal era a padroeira de espadachins e mercadores.

Seu aspecto mais forte é o de divindade da agricultura, protegendo os campos de arroz e abençoando os fazendeiros com uma safra fértil todos os anos.

Há um mito que diz que Inari desce de sua montanha todos anos durante a primavera, abençoando as plantações de arroz. Durante esse período, ela assume a forma de uma jovem mulher para dormir com os homens. Um desses homens percebeu que estava dormindo com a Deusa quando viu uma cauda vermelha e peluda por entre os lençóis, mas não falou nada. Inari recompensou sua discrição dobrando a colheita daquele ano.


Uma Deusa, Várias faces

Algumas vezes ela também pode ser vista como um conjunto de outras divindades que variam de acordo com o período que o país se encontra. Inicialmente eram 3 divindades (Inari sanza), mas desde o período Kamakura esse número aumentou para 5 (Inari goza).

De acordo com os registros em seu santuário, Izanagi, Izanami, Ninigi e Wakumusubi já foram relacionados com Inari em determinado momento, mas hoje as cinco divindades relacionadas com ela atualmente são Ukanomitama, Sarutahiko, Omiyanome, Tanaka e Shi.

Em Takekoma Inari, o segundo templo mais antigo dedicado a Inari, as três divindades relacionadas a ela são Ukanomitama, Ukemochi e Wakumusubi.

Por vezes, seu aspecto feminino também é identificado como Dakiniten, uma divindade budista que é a correspondente japonesa à Dekini indiana. Sob essa forma, como comentamos anteriormente, ela é vista como andrógina e representada montada em uma raposa branca voadora.

Há quem diga que todas as divindades que possuem relação com alimentos podem ser relacionadas a Inari de algum forma.

Inari na cultura pop

O jogo Persona 3 Portable, lançado para Playstation Portable (PSP) em 2009 possui referências a diversas divindades de várias religiões e ao tarot. O protagonista do jogo invoca as personas (manifestações de sua personalidade) através das cartas com diferentes arcanos.

Entre essas referências, há um santuário dedicado a Inari que duplica alguma carta escolhida pelo jogador. Isso remete à fertilidade e prosperidade dessa divindade.

Templo dedicado a Inari no jogo Persona 3 Portable


O jogo Persona 5 (lançado em 2016 para Playstation 3 e 4) também continua com a temática voltada ao paganismo, e um dos protagonistas (Yusuke) possui uma vestimenta que claramente referencia Inari.

Outra protagonista, Futaba, o chama pelo nome da Deusa, ao invés de usar o seu próprio nome.

Referência a Inari no jogo Persona 5


No jogo Splatoon, lançado para Wii U em 2015, há uma estátua de raposa branca com detalhes em vermelho no mapa principal do jogo.

Estátua dedicada a Inari no jogo Splatoon


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Invocando Inari

Lembrete:
Dentro da Wicca não existem regras e nem receitas prontas para invocar nenhuma Deusa. O ritual de invocação parte de dentro de cada um. Porém, ao vermos os mitos e símbolos de cada deusa, podemos sugerir formas de invocá-las. Lembre-se também de checar nosso Calendário para datas festivas, eventos e curiosidades.
A Deusa Inari está intimamente ligada ao arroz e à prosperidade. Portanto, uma forma de se conectar com ela para atrair prosperidade para a sua vida é preparando uma refeição com arroz e decorando a mesa com as cores vermelha e branca.

Enquanto prepara o alimento, concentre-se na Deusa e nas bênçãos que ela fornece aos agricultores. Dedique o alimento que está preparando a ela e peça para que a prosperidade e a abundância sejam cultivadas em sua vida!

Antes de comer, faça como os japoneses e agradeça pela comida. Após comer, agradeça também.

Se você tiver convidados para a refeição, presenteie cada um deles com miniaturas de raposas para que eles a levem para casa.

Agradeça a Deusa.



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Gayatri - A Deusa personificação do mantra | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
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  • Atributos: Personificação do Mantra Gāyatrī, Deusa da riqueza e da educação, mãe dos Vedas 
  • Símbolo: O mantra Gāyatrī (ॐभूर्भुवस्व) 
  • Local: Índia 

Gayatri - Ilustração da Deusa
Na mitologia indiana, todas as divindades são manifestações de Brahman, o espírito divino e absoluto, em diferentes ocasiões, e a Deusa Gayatri não é diferente.

Ela é tipicamente retratada sentada em uma lótus vermelha, que significa riqueza e pode aparecer sob duas formas:

  • Com cinco faces diferentes (Mukta, Vidruma, Hema, Neela, Dhavala) representando os pancha pranas / pancha vayus (sentidos/ventos) e dez braços. Seus dez olhos encaram oito direções diferentes além do céu e da terra e seus braços seguram todas as armas de Brahma, Vishnu e Shiva
  • Acompanhada por um cisne branco, segurando escrituras (que denotam conhecimento) em uma mão e um vaso em outra, simbolizando cura. Nessa forma ela é a Deusa da educação.

Seu mito de origem conta que um dia Brahma foi realizar suas orações aos Deuses, mas percebeu que para isso precisaria estar casado; a presença de seu par era imprescindível para a conclusão dos rituais. Brahma pediu para que lhe buscassem qualquer garota, e uma linda mulher foi encontrada próxima ao Monte Kairash, na região do lago Manasarovar.

Quando foi levada à Brahma, ele percebeu que ela era a própria personificação do mantra Gayatri. Eles se casaram naquele momento e permanecem juntos desde então.

Devido a essa união, a Deusa Gayatri é muitas vezes vista como outra representação de Sarasvati, ou ainda, considerada a culminação de três Deusas: Lakshmi, Parvati e Sarasvati.

Gayatri é, portanto, uma Deusa Tríplice em sua essência.


As escrituras da verdade

O hinduísmo possui um extenso sistema de escrituras sagradas chamado de Vedas. São quatro obras escritas em sânscrito védico (que posteriormente deram origem ao sânscrito clássico) datadas de muito tempo atrás.

O texto mais antigo é o Rigveda, registrado entre 2000 BCE e 1500 BCE., e é onde o mantra Gāyatrī (ॐभूर्भुवस्व) apareceu escrito pela primeira vez, mas estudiosos confirmam que ele pode ter sido passado muitos anos antes oralmente.

Sendo o segundo mantra mais reverenciado no hinduísmo, ficando atrás somente do Om (ॐ), o Gāyatrī invoca Savita, divindade indiana do sol, e por isso ele também recebe o nome de Sāvitrī.

Segundo as crenças dos hindus, os conhecimentos registrados nos Vedas representam toda “a verdade”. Sendo “mãe dos Vedas”, também podemos interpretar Gayatri como “mãe da verdade”.


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Invocando Gayatri

Lembrete:
Dentro da Wicca não existem regras e nem receitas prontas para invocar nenhuma Deusa. O ritual de invocação parte de dentro de cada um. Porém, ao vermos os mitos e símbolos de cada deusa, podemos sugerir formas de invocá-las. Lembre-se também de checar nosso Calendário para datas festivas, eventos e curiosidades.
O mantra Gāyatrī inspira conhecimento e sabedoria, sua tradução é algo nas linhas de “Que o Deus Todo-Poderoso ilumine nosso intelecto para nos guiar pelo caminho justo”.

Você pode recitar o mantra, juntamente com algum incenso, para inspirar essas qualidades e assim atingir seus objetivos.


Gayatri na cultura pop


O tema de abertura da série de ficção científica Battlestar Galactica (emissora ABC) contém o mantra Gayatri:

  


 Durante a sua turnê (Living Proof: The Farewell Tour), a cantora norte-americana Cher incluiu no seu repertório o mantra: 




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Konohana Sakuya-Hime - Deusa das flores e vulcões | Wicca, magia, bruxaria, paganismo
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  • Atribuições: Deusa das flores e dos vulcões (sobretudo o Monte Fuji) 
  • Símbolos: Flores de cerejeira (Sakura) 
  • Local: Japão 
Deusa Konohana Sakuya-Hime | Wicca, magia, bruxaria, paganismo
A Deusa xintoísta que representa a delicada vida terrena, Konohana Sakuya-Hime (Kōnōhanasakuya-hime, Konohana-sakuya-hime, Kono-hana-sakuya-hime-no-kami ou somente Sakuya Hime - Hime significa "princesa", "donzela" em japonês), é considerada a personificação da vida japonesa, assim como a flor de cerejeira que é símbolo do país. Inclusive, seu nome é traduzido livremente como “princesa que desabrocha as flores da árvore”.

Seu pai é Oyamatsumi, Deus das montanhas, irmão de Amaterasu, Deusa do Sol. Essa relação faz de Sakuya-Hime sobrinha de Amaterasu.

Seu marido é o Deus Ninigi, responsável por trazer à terra o conhecimento sobre o cultivo de arroz. A lenda dos dois conta que eles se apaixonaram à primeira vista, ao se encontrarem no litoral, e Ninigi foi pedir sua mão ao pai da Deusa.

Oyamatsumi propôs que o Deus casasse com sua filha mais velha, Iha-Naga, Deusa das pedras, mas Ninigi tinha o coração certo por Sakuya. Oyamatsumi aceitou a união contra seu agrado e o casamento foi feito.

Devido a isso a vida humana não é longa e duradoura como uma pedra, mas curta e bela como uma flor de cerejeira.

Após a noite do casamento, Sakuya-Hime ficou grávida, e Ninigi suspeitou que a Deusa tivesse engravidado de outra divindade. Ela enraiveceu-se com a acusação, e para provar sua virtude foi dar à luz em uma cabana de parto. Sakuya-Hime pôs fogo na cabana e disse que ela e a criança não seriam machucados pelo fogo, e isso tornou-se verdade.

Ela e três crianças emergiram das chamas sem nenhum arranhão. Seus filhos são Hoderi (divindade dos tesouros do mar), Hosuseri (divindade dos mistérios) e Hoori (divindade dos grãos).

A Deusa não conseguia produzir leite suficiente para alimentar as três crianças, então, junto com seu marido, ela inventou o saquê, bebida fermentada de arroz, para que eles não morressem.

Uma Deusa “recente”

Originalmente, Sakuya Hime não possuía ligações com o Monte Fuji. Sua devoção começou entre os séculos XIV e XVI, onde as pessoas começaram a clamá-la, filha do Deus das montanhas, para protegê-los de erupções da montanha, assim como protegeu seus filhos do fogo da cabana.

Konohana Sakuya-Hime por Lidia Alina
Konohana Sakuya-Hime por Lidia Alina

A Deusa foi estabelecida como a divindade principal da montanha e até hoje permanece. Templos foram construídos em sua honra e ainda hoje é feita a cerimônia do fogo anual no Monte Fuji. Os devotos descem a montanha para trazer proteção à cidade contra o fogo e promover o parto facilitado.


Sakuya-Hime na cultura pop

No jogo Okami, lançado originalmente para Playstation 2 em 2006 e posteriormente para Wii e Playstation 3, a Deusa aparece na forma de Sakuya, uma divindade ligada à uma árvore de cerejeira que protege o vilarejo Kamiki.

Quando as trevas caem no mundo, ela invoca Amaterasu para restaurar a vida e a beleza com seu pincel celestial. Isso é alcançado pela protagonista do jogo ao fazer florescer as outras árvores de cerejeira, que são ligadas à árvore em que Sakuya reside.



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Invocando Sakuya-Hime

Lembrete:
Dentro da Wicca não existem regras e nem receitas prontas para invocar nenhuma Deusa. O ritual de invocação parte de dentro de cada um. Porém, ao vermos os mitos e símbolos de cada deusa, podemos sugerir formas de invocá-las. Lembre-se também de checar nosso Calendário para datas festivas, eventos e curiosidades.
A Deusa Sakuya protege contra o fogo (que é um símbolo da renovação) e facilita o parto, seja ele literal ou não.

É uma ótima Deusa para pedir proteção contra mudanças indesejadas e fazer as ideias ou conquistas florescerem, mas para isso é importante que seja invocada durante a Lua Crescente ou Lua Cheia.

Itens necessários:


  • Papel branco e lápis/caneta ou pincel e tinta
  • Vela (qualquer cor)
  • Incenso


Em qualquer período do dia, vá a um local calmo e acenda a vela e o incenso. Vá desenhando flores no papel enquanto faz seu pedido à Deusa, sem esquecer das bênçãos que ela proporciona.

Quando terminar, reflita como ela poderia agir em sua vida enquanto espera a tinta secar.

Queime o papel com os desenhos na chama da vela. Ele será consumido, mas seus desejos prevalecerão.

Agradeça a Deusa e enterre os restos do ritual próximo a uma árvore, com exceção da vela, que deverá queimar até o fim.

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Durga – Deusa da Proteção e Mãe do universo | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
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  • Atribuições: Deusa da força e da proteção, mãe do universo 
  • Símbolos: Fogo, leões, vasilhas com arroz, colheres e itens amarelos em geral 
  • Local: Índia 
Durga – Deusa da Proteção | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
Essencialmente, todas as Deusas são diferentes representações da mesma divindade para os hindus, sendo chamada apenas de “Deusa” ou “Devi”. Talvez a mais importante e mais poderosa encarnação no hinduísmo seja a Deusa Durga, que aparece com muitas faces e muitos nomes em várias ocorrências de sua mitologia. Ela é representada normalmente como uma bela mulher com 3 olhos e oito ou dez braços, segurando uma arma divina em cada mão.

Seu olho esquerdo representa o desejo (lua), o direito representa a ação (sol) e o central representa o conhecimento (fogo). O surgimento de Durga remete a muitos anos atrás, quando o demônio* Mahishasura ganhou um favor de Shiva após longa penitência. O demônio pediu ao Deus uma benção que fizesse com que ele não pudesse ser morto por nenhum homem ou Deus, e esse desejo foi concedido com certa desconfiança.

Como se considerava imortal, Mahishasura começou seu reinado de terror, atacando a terra e até mesmo a morada dos Deuses. Muitos foram mortos impiedosamente numa guerra que durou cem anos. Derrotados e com medo, os Deuses procuraram refúgio junto a Brahma, que os levou a Shiva e Vishnu. Enquanto o feito dos demônios era narrado, uma poderosa energia emanou de seus corpos, iluminando os três mundos (físico, astral e causal).

Essa energia concentrou-se em um ponto e tomou forma da Deusa. Seu rosto era iluminado como o de Shiva. Seus dez braços eram como os de Vishnu. Seus pés eram como os de Brahma. Seu cabelo foi formado a partir da luz de Yama e seus seios foram formados a partir da luz de Somanath.

A cintura veio de Indra, pernas e coxas de Varun, o quadril de Bhoodev, os dedos dos pés de Surya e os dedos das mãos de Vasus. Seu nariz formou-se da luz de Kuber, os dentes de Prajapati e seus três olhos de Agni. Suas sobrancelhas vieram dos dois Sandhyas e as orelhas vieram de Vayu.

A partir da energia dos outros Deuses, Durga surgiu, sendo presenteada por eles com objetos para combater Mahishasura, pois era a única que podia derrotá-lo.

E assim ela montou em seu leão e o fez, em uma batalha que ferveu oceanos e destruiu continentes.

*Os demônios, na cultura Hindu, são chamados de “asura”, o que se traduz em “antideus”, antagonistas dos “sura”, ou Deuses.

Deusa da proteção

A palavra “durga”, em sânscrito, é traduzida como um forte ou local que é difícil de cair. Os Hindus acreditam que a Deusa Durga protege seus devotos do mal e da miséria do mundo.

Ela carrega diversos objetos em sua mão, dados a ela pelos Deuses quando foi combater um antigo asura. São eles:


  • Chakram: Dado por Naryana, ele gira ao redor do dedo indicador da Deusa sem jamais tocá-lo. Simboliza a justiça ou dharma. 
  • Concha (ou búzio): Dado por Varuna, simboliza a palavra “Ohm”, um mantra que indica uma conexão com o divino através do som. 
  • Arco e flecha: Dados por Surya, representam energia. Durga os segura na mesma mão, demonstrando seu poder sobre energia potencial e cinética. 
  • Trovão: Dado por Indra, essa arma simboliza firmeza de espírito. O trovão pode destruir onde cai sem ser afetado, e assim deve ser o devoto de Durga, vencendo seus desafios sem perder confiança em si próprio. 
  • Flor de Lótus: A flor não está totalmente desabrochada na mão da Deusa, simbolizando uma certeza de sucesso futuro, o acordar da consciência espiritual. A lótus é uma flor que consegue nascer em meio à sujeira (e seu nome em sânscrito, “pankaja”, significa isso), e isso representa o devoto que consegue se elevar espiritualmente em meio as adversidades. 
  • Espada: Dada por Yama, esse objeto representa conhecimento e intelecto afiado. A Deusa usa a espada para cortar o véu da ignorância que prende alguém a ações erradas e karma. 
  • Lança: Dada por Agni, a lança destrói a negatividade e garante prosperidade. 
  • Maça: Presente de Vishwakarma, essa arma atinge qualquer inimigo, independentemente de sua defesa. As bênçãos de Durga ajudarão quem a procura a derrotar qualquer ameaça. 
  • Tridente (ou Trishul): Presente de Shiva, é um símbolo dos três Gunas (três qualidades em um humano): Satvva (força criativa), Rajas (manifestação) e Tamas (inércia). Os Gunas representam um triângulo de forças opostas e complementares, equilibrando a existência. Durga consegue dar a coragem necessária para lutar com seus males a alguém que está fora de sincronia com alguma dessas qualidades. 

A Deusa também recebeu um leão de montaria como presente do Deus Himavat. Esse animal representa poder, vontade e determinação; sendo a montaria de Durga, isso representa o domínio da mesma sobre essas qualidades e sugere ao devoto que é necessário possuí-las para libertar-se do ego.

Diversas encarnações

Todas as Deusas são diferentes encarnações da mesma divindade dentro do hinduísmo, então, no fim, todas se encontram na Deusa Mãe Durga. Podemos citar entre essas encarnações: Kali, Sarasvati, Lakshimi, Bhagvati, Parvati, Bhavani, Maya, Java, Ambika, Laulita... São diversas Deusas, e ao mesmo tempo, uma só divindade, compartilhando atributos e devoção de um povo.

Durga também possui nove aspectos (que também são divindades por si só) que são homenageados durante os nove dias de seu festival, no mês de setembro. São eles: Skondamata, Kusumanda, Shailaputri, Kaalratri, Brahmacharini, Maha Gauri, Katyayani, Chandraghanta and Siddhidatri.

Além dessas diversas “existências”, Durga também possui muitos nomes: 108 exatamente.
Eles aparecem nos textos de Durga Saptashat (ou Chandi), antigas escrituras em sânscrito que narram a história da batalha da Deusa contra Mahishasura.

Durante os dias do festival Durga Puja, seus devotos rezam à Deusa em seus 108 nomes, assim como Shiva fazia para agradá-la.



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Invocando Durga

Lembrete:
Dentro da Wicca não existem regras e nem receitas prontas para invocar nenhuma Deusa. O ritual de invocação parte de dentro de cada um. Porém, ao vermos os mitos e símbolos de cada deusa, podemos sugerir formas de invocá-las. Lembre-se também de checar nosso Calendário para datas festivas, eventos e curiosidades.
O principal festival à Deusa, o Durga Puja, acontece no final de setembro. Seus devotos agradecem à Deusa por seus feitos e pedem que continue oferecendo proteção. Durante os 6 dias do festival são feitos diversos rituais para diferentes aspectos, e qualquer um que queira demonstrar devoção à Deusa pode realiza-los, porém é importante estudá-los, assim como o festival em si, para que sejam executados corretamente.

Abaixo você pode encontrar um simples ritual para pedir proteção à Deusa, não necessitando de um estudo muito aprofundado.

Recomendamos que o ritual seja feito durante a Lua Crescente ou Lua Cheia, para que os resultados cresçam.

Itens necessários:
  • Vela
  • Incenso
  • Vasilha de arroz com colher
  • Símbolo de Durga (opcional, caso queira trabalhar algum aspecto mais aprofundado de si mesma(o). Para trabalhar o aspecto desejado, utilize algum símbolo que remete à arma equivalente carregada pela Deusa)

Não importando o período do dia, faça o ritual em um local calmo.

Acenda a vela e o incenso, meditando sobre seu pedido.
Você pode utilizar o mantra de Durga para facilitar a meditação:


"Om Dum Durgayei Namaha" que significa "Om e saudações à energia feminina que protege contra todas as formas de energias negativas"

Chame por Durga e lhe agradeça pela proteção que ela concede diariamente, peça para que continue assim.

Agradeça novamente e deixe vela e incenso queimando.

Pode consumir o arroz ou enterrá-lo.

Sempre que quiser, acenda a vela novamente, remetendo seus pensamentos à Deusa para que ela lhe proteja sempre.


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Nut - Deusa do céu e da proteção | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
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  • Atribuições: Deusa do céu e do firmamento, das estrelas e da morte
  • Símbolos: Céu, estrelas, vaca, pote
  • Local: Egito
Nut, Deusa da Noite | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
Os antigos egípcios tinham a Deusa Nut (ou Nuit, Newet, ou ainda, Nueth) como uma das mais adoradas. Ela era a própria personificação do céu e também era aquela que deu à luz a muitos Deuses, possuindo um importante papel na sua mitologia como uma barreira entre o caos e a ordem.

Filha de Shu, o Deus do ar e Tefnut, Deusa da umidade, Nut é uma das Deusas que remetem à criação do mundo.

Nesse mito, ela e seu irmão Geb (Deus terra) eram vistos como amantes, e abraçavam-se tão fortemente que nada podia passar entre eles. Obervando aquilo, Shu separou-os, tornando-se o vento que circula entre céu e terra.

Essa separação foi tardia, quando Nut já estava grávida. Dela nasceram todos os planetas e estrelas, e eles ficariam junto dela enquanto estivesse presente no céu. Esse é um atributo que ela divide com a Deusa Hathor, juntamente com o símbolo da vaca, que representa a habilidade de dar vida.

Dessa união também surgiram alguns Deuses do panteão egípcio, sendo eles Osíris, Set, Ísis e Néftis. Os antigos egípcios também diziam que seu avô, o Deus sol Ra, todas as noites entrava pela sua boca e renascia de sua vulva a cada manhã.

A representação de Nut normalmente é uma mulher nua, negra e coberta de estrelas. Ela fica curvada em direção à terra, olhando para baixo, e seus braços e pernas formavam pilares que sustentavam o céu e protegiam o mundo do caos. Ela pode ser representada, também, por uma mulher comum com um pote sobre a cabeça.

Deusa da morte

Como já foi dito, Nut dava à luz ao sol todos os dias. Esse fator a conectava com o submundo, com ressurreição e com as tumbas, tornando-a uma Deusa de morte e renascimento.

Ela era vista como amiga dos mortos, uma protetora àqueles que atravessavam o Duat (o submundo egípcio).

Frequentemente ela era pintada por dentro dos sarcófagos de seus devotos para protege-los até que renascessem, como Ra, em uma nova vida.

Nut possuía grande importância na mitologia egípcia, possuindo alguns festivais em sua homenagem realizados durante o ano, mas nenhum grande templo ou culto foi ligado a ela. Existiram alguns santuários em seu nome, e ocasionalmente eram feitos rituais com alimento.


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Invocando Nut

Lembrete:
Dentro da Wicca não existem regras e nem receitas prontas para invocar nenhuma Deusa. O ritual de invocação parte de dentro de cada um. Porém, ao vermos os mitos e símbolos de cada Deusa, podemos sugerir formas de invocá-las. Lembre-se também de checar nosso Calendário para datas festivas, eventos e curiosidades.
Essa Deusa é uma grande aliada quando o assunto é proteção. Como foi dito, os antigos egípcios acreditavam que ela protegia o mundo com o seu corpo, impedindo que o caos os alcançasse.

Se você estiver com a sensação de que muitas coisas estão dando errado e sua vida em si está um caos, pode invocar Nut durante a Lua Crescente ou Lua Cheia para que ela afaste essa energia ruim.

Itens necessários:


  • Incenso (Alecrim e açafrão recomendados) 
  • Velas 
  • Sua música preferida 


Em uma noite, em algum local escuro e que de preferência consiga ver o céu, acenda as velas e os incensos.

Faça uma breve meditação acerca do seu objetivo e do seu pedido.

Coloque a música para tocar e dance. Deixe-se levar pelo ritmo e não perca o foco do seu pedido.

Quando sentir que já é o suficiente, vá descansar. Tenha sempre gratidão em mente pois Nut nos protege do grande caos desde tempos imemoriais.

Agradeça a Deusa no fim do ritual e deite-se para dormir.


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Artio - A Deusa Urso da Abundância | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
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  • Atribuições: Deusa da abundância, transformação e vida selvagem
  • Símbolos: Urso e frutas
  • Local: Europa
Estátua de Bronze dedicada à Deusa Artio | Magia, Bruxaria, Wicca, Paganismo
Artio é uma Deusa Celta da abundância (ou fertilidade), transformação e vida selvagem. Seu nome origina-se da palavra celta para urso (arth) e ela é representada na maioria das vezes como tal, podendo também estar rodeada de frutas.

Os registros mais antigos dessa Deusa são de 450 EC., mas sua origem pode ser ainda mais antiga: em toda a Europa foram encontrados crânios e ossos de ursos arrumados em nichos dentro de cavernas.

Os ancestrais dos Celtas que chegaram à Europa foram os Helvetii, que cultuavam uma Deusa que era referida como “A Ursa”. Essa tribo, eventualmente, foi tomada pelo império romano, mas podemos ver que o culto à Deusa sobreviveu, inclusive sendo absorvida por outra entidade dentro daquele panteão: A Deusa Diana (ou Ártemis, na Grécia). As duas possuem atributos similares e talvez isso possa ter sido um feito dos seguidores de Artio em Roma.

A Deusa Urso

O urso fêmea normalmente passa a hibernação grávida, para dar à luz na primavera. Se associarmos com o Xamanismo, onde tal figura é constantemente encontrada, o período de hibernação gestante no inverno simboliza a jornada em meio às trevas e o nascimento do filhote no início da primavera simboliza o retorno à luz com o conhecimento obtido durante a estação. Isso também simboliza um ciclo de transformação.

Deusa Artio dormingo com um Urso por Alexandra Nereïev | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
Deusa Artio dormingo com um Urso por Alexandra Nereïev

O período da primavera é escolhido instintivamente pela mãe urso pois é a época em que o alimento está mais abundante, e seus filhotes terão mais 3 estações com fartura para fortificar-se. Daí se dá, também, a benção da Deusa Artio, que renova o terra com vida ao final do inverno.

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Invocando Artio

Lembrete:
Dentro da Wicca não existem regras e nem receitas prontas para invocar nenhuma Deusa. O ritual de invocação parte de dentro de cada um. Porém, ao vermos os mitos e símbolos de cada Deusa, podemos sugerir formas de invocá-las. Lembre-se também de checar nosso Calendário para datas festivas, eventos e curiosidades.
Quando Artio acorda de seu sono invernal, ela destrói o frio com calor e luz, trazendo abundância ao mundo novamente.

Durante a Lua Crescente, pode-se invocar essa Deusa para que seus desejos frutifiquem e tragam felicidade.

Para invoca-la, faça uma salada com frutas frescas e a compartilhe com familiares e amigos para espalhar a abundância de Artio. Se a tiver em mente, a Deusa retribuirá.

Artio na cultura pop

Embora a ligação não seja clara e aberta a várias interpretações, podemos ver a presença de Artio na animação “Valente”, da Disney (2012).

A história assemelha-se mais à da deusa Calisto, mas se passa na Europa em uma época em que os Celtas ainda possuíam grande presença.

Deusa Artio retratada no filme Valente, da Disney | Wicca, Magia, Bruxaria, Paganismo
Deusa Artio retratada no filme Valente, da Disney

O culto à Deusa provavelmente provém de tempos anteriores à época em que o filme acontece, porém, a figura do urso é constantemente reapresentada, sugerindo então que o povo do filme a adorava.



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Nyx - Deusa Primordial da Noite | Bruxaria, Magia, Wicca, Paganismo
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  • Atributos: Deusa da noite, da fertilidade e da morte 
  • Símbolos: Ovo, lua crescente, estrela
  • Local: Grécia 

A noite (Nyx) - William-Adolphe Bouguereau, 1883Essa Deusa é uma figura sombria. Presente desde o primórdio da criação, Nyx teve diversos filhos, entre eles Hipnos (o sono), Tânato (a morte), e Éris (Deusa do caos).

Ela vem de uma época em que as divindades personificavam aspectos da natureza, portanto, ela É a noite. Assim como sua irmã, Gaia, é a terra. Também é irmã de Érebo, Tártaro e Eros.

Nyx é normalmente representada como uma figura feminina alada ou em uma carruagem. Também pode possuir uma auréola ou véu feita de névoa. Além desses detalhes, também é dito que ela possui poder e beleza tão grandes que impõe medo em Zeus.

Em Roma ela é chamada de Nox, mas em determinada época evitava-se pronunciar seu nome (talvez por temor ou por respeito), então as pessoas davam-lhe nomes gregos como Eufrone e Eulália.

Nyx ainda hoje é cultuada por bruxas e magos que acreditam que ela traz fertilidade e rejuvenescimento à terra, mas raramente é o foco de algum culto, permanecendo em segundo plano dentro de outros cultos. Por exemplo, há uma estátua chamada "Nyx" no templo de Ártemis na cidade de Éfaso.

Isso também faz alusão ao fato de que ela vigia tudo enquanto veste seu manto da invisibilidade, assistindo ao que acontece sem ser notada.

Deusa da morte

Essa Deusa ora aparece de forma benevolente, como as belezas da noite e ora como seus terrores; não simbolizando uma entidade maligna, mas sim as possibilidades da escuridão.

Ela mora em uma caverna localizada na profundeza do Tártaro, de onde realiza oráculos e envia sonhos e profecias à superfície. Fora da caverna, a ninfa Adrasteia bate com címbalos e tímpanos no ritmo da canção entoada por Nyx, para assim mover o universo.

Seus filhos, em sua maioria, são divindades que habitam o mundo subterrâneo e possuem forças indomáveis a qualquer outro Deus. São eles:

Com Érebo ela teve: Éter (luz celestial) e Hemera (o dia).

E sozinha: Moros (Destino), Queres (espíritos da fatalidade), Tânato (Morte), Hipnos (sono), Oniros (personificação dos sonhos), Momos (Escárnio), Oizus (Miséria), Hespérides (espíritos da natureza), Moiras (Deusas do destino), Nêmesis (Deusa da vingança, da justiça e do equilíbrio), Ápate (Fraude), Filotes (Amizade), Geras (Velhice) e Éris (Discórdia).

Nyx por Laura Pelick Siadak
Deusa Nyx por Laura Pelick Siadak


Nyx na cultura pop

Na série de livros "Harry Potter", escrita por J. K. Rowling, as personagens frequentemente usam o feitiço "Nox" para apagar a luminosidade de suas varinhas.

Isso faz uma referência à Deusa em questão, pois além de ser um de seus nomes, também remete à escuridão.


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Invocando Nyx

Lembrete:
Dentro da Wicca não existem regras e nem receitas prontas para invocar nenhuma Deusa. O ritual de invocação parte de dentro de cada um. Porém, ao vermos os mitos e símbolos de cada Deusa, podemos sugerir formas de invocá-las. Lembre-se também de checar nosso Calendário para datas festivas, eventos e curiosidades.
Nyx é uma boa Deusa para ser chamada quando você precisa entrar em contato com o seu âmago e renovar-se.

Preferencialmente, esse ritual deve ser feito na Lua Crescente, para fazer florescer os resultados.

Entretanto, é imprescindível saber que Nyx se estressa facilmente e pode tanto realizar sonhos quanto trazer a morte a quem a procura. Conheça esta Deusa e tome cuidado.

Itens necessários:

  • Incensos (recomendo lavanda, mel ou sândalo) 

Vá a algum local seguro que você possa ficar na penumbra. Se puder ver as estrelas, melhor ainda.
Acenda os incensos e faça uma reverência à Deusa, pois ela certamente estará observando você. Agora medite sobre si mesma(o), pense em seus feitos e deixe de lado sentimentos como culpa, vergonha e raiva.

Deixe os incensos queimando até o fim. Nyx trará em seus sonhos a energia que você precisa para sua renovação. Portanto preste atenção neles e tente anotá-los.

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Musas - Deusas da inspiração e das artes | Wicca, magia, bruxaria e paganismo
  • Atribuições: Deusas inspiradoras das artes, ciências e literatura 
  • Símbolos: Vários, cada uma possui símbolo próprio
  • Local: Grécia 

As Musas
As nove musas gregas eram representadas como jovens e belas donzelas. O pai delas é Zeus, rei dos Deuses e a mãe é Mnemósine, Deusa da memória.

Na mitologia grega, são as Deusas inspiradoras das artes, ciências e literatura e são consideradas fonte do conhecimento incorporado nas poesias, nas letras das músicas e nos mitos que foram transmitidos oralmente por séculos em culturas antigas. Mais tarde também foram adotadas pelos romanos, passando a fazer parte de seu panteão.

Acredita-se que elas morem acima das nuvens douradas que cobrem os picos de duas montanhas sagradas para os gregos: o monte Olimpo e o monte Hélicon.

Elas também eram referenciadas como Mneiai (memórias), pois muito da música e poesia da época eram guardadas na memória. Sua origem é atribuída aos próprios Deuses gregos que, após sua vitória na guerra contra os titãs, pediram que essas divindades especiais fossem trazidas à existência para que pudessem comemorar seus feitos. Originalmente, eram ninfas padroeiras dos poetas e músicos, mas seus papéis se diversificaram com o tempo para incluir outras atribuições.

Confira abaixo as nove Deusas mais detalhadamente:

  • Clio: Musa da história e escrita.

    Clio adorava contar histórias do passado. Padroeira das sátiras teatrais, seu símbolo principal é um pergaminho parcialmente aberto, mas também pode ser encontrada em livros e penas de escrita.

  • Tália: Musa da comédia e da poesia.

    Padroeira da comédia teatral, seu símbolo principal é uma máscara cômica, mas também pode ser encontrada em cornetas ou um bastão de pastoreio (o ato de puxar alguém do palco com o bastão é uma referência a essa Deusa).

  • Erato: Musa do erotismo e da beleza.

    Padroeira dos versos e poesias amorosas. Seu símbolo principal é uma Cítara, um tipo de harpa, mas também pode ser encontrada em pombas ou flechas douradas. Ocasionalmente é acompanhada pelo Deus Eros, carregando uma tocha.

  • Euterpe: Musa padroeira da música.

    Seu símbolo principal é o Aulos, uma espécie de flauta com dois tubos. Seu nome significa “Aquela que dá prazer”, pois a música sempre foi considerada um dos maiores prazeres ao longo da história. Ela tem um filho chamado Rhesus com o Deus dos rios, Strymon.

  • Calíope: Musa padroeira da poesia épica.

    Dita ser a Musa mais sábia dentre todas e inspiração de Homero para escrever suas poesias. Seu símbolo principal é uma tabuleta de escrita. Calíope é a mãe de Orfeu e Lino.

  • Terpsícore: Musa padroeira da dança e do coro das vozes.

    Seu símbolo é uma lira e é frequentemente representada tocando esse instrumento sentada. É considerada por vezes a mãe das sereias.

  • Urânia: Musa padroeira da astronomia e das constelações.

    Deusa da filosofia, ela possui o dom de profetizar lendo as estrelas. Seus símbolos são o globo e a bússola e é frequentemente representada com um manto incrustrado de estrelas, olhando para o céu.

  • Melpômene: Musa da tragédia.

    Apesar da sua atribuição, essa Deusa é uma divindade com canto particularmente alegre. Costuma ser representada com uma faca ou bastão em uma mão e uma máscara trágica na outra. Seu símbolo principal é a máscara trágica.

  • Polímnia: Musa padroeira dos cantos religiosos, orações e danças sagradas.

    Essa Deusa é a mais séria dentre todas Musas. É também associada com meditação, e esse traço se reflete em suas representações, onde comumente aparece curvada sobre uma coluna, aparentemente em profunda reflexão. Seu símbolo principal é o véu, o que implica a ela os traços de uma sacerdotisa virgem.

Embora as Musas tenham sido geralmente citadas como uma fonte de inspiração e ajuda aos mortais, elas também eram vaidosas, arrogantes e se ressentiam facilmente com qualquer um que questionasse a sua supremacia nas artes. Há algumas lendas sobre isso na mitologia grega, por exemplo, na Ilíada, onde um músico chamado Thamirys disse que podia cantar melhor e mais alto que as Musas. Ele competiu contra elas e, sendo castigado devido a sua presunção, perdeu a visão, a capacidade de cantar e de tocar a lira.


O templo das Musas

A palavra “museu”, que nos traz a mente várias mostras de arte, se origina dos termos “Museion” ou “Musaeum”, que é um templo ou altar em que as Musas são honradas.

Em diversas línguas indo-européias o termo se mantém, indicando um local de prestígio, cultivo e preservação das artes e ciências.

A palavra “música”, como podemos perceber, também deriva do nome atribuído a essas divindades. Ainda hoje, a palavra “musa” é usada figurativamente para referir-se a uma pessoa que serve de inspiração.

Musas Dançando com Apolo por Baldassare Peruzzi
Musas Dançando com Apolo por Baldassare Peruzzi



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Invocando as Musas

Lembrete:
Dentro da Wicca não existem regras e nem receitas prontas para invocar nenhuma Deusa. O ritual de invocação parte de dentro de cada um. Porém, ao vermos os mitos e símbolos de cada Deusa, podemos sugerir formas de invocá-las. Lembre-se também de checar nosso Calendário para datas festivas, eventos e curiosidades.
As Musas vivem dentro de nós como uma necessidade de expressar o prazer e a criatividade. Elas nos ajudam a manifestar no mundo externo o que há no âmago do nosso ser e, dependendo das nossas opções, podemos abraçar algumas das diversas possibilidades oferecidas por elas.

De acordo com as crenças dos gregos antigos, as Musas devem ser invocadas para ajudar e guiar uma pessoa necessitada de inspiração em suas composições, sempre que “faltar criatividade” de nossa parte.

O ato de invocar as Musas é um ato mágico capaz de estimular e desenvolver nosso lado criativo. Na correria de nossas rotinas, muitas vezes não paramos para ouvir as vozes das Musas dentro de nós.

Para este ritual você vai precisar de materiais de criação. Pode ser um caderno e lápis pretos e coloridos; telas, pincéis e tintas; instrumentos musicais; argila ou barro etc. Escolha aqueles com os quais tenha afinidade ou deseja aprender!


Faça este ritual, preferencialmente, todos os dias. Nem que seja por 5 minutos por minutos por dia, sempre o faça. Primeiro, tente ficar em um lugar tranquilo e pegue o material de criação de sua escolha. Peça para que as Musas guiem suas mãos. Desenhe, rabisque, escreva, pinte, toque seu instrumento, dance, cante... crie o que sentir que deve criar sem se preocupar com nada. As Musas estarão guiando você. Ao final agradeça a inspiração e dedique a obra a elas!

Você pode colecioná-las, presenteá-las ou se desfazer delas. O importante aqui é o momento da criação. Quanto mais fizer este ritual, maior será sua afinidade com as Musas. Logo, quanto maior for sua afinidade com elas, maior será a sua habilidade criativa!

Atena Junto às Musas por Frans Floris, 1560

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